A importância de ganhar intimidade com a própria história de vida e revelar nossos padrões positivos

March 27, 2019

 

 

“A verdadeira profissão do homem é encontrar seu caminho para si mesmo”
Hermann Hesse

 

Dizem que nossos maiores defeitos são aqueles que ainda desconhecemos. Mas também é fato que muito dos nossos talentos e virtudes estão em territórios escondidos por nós, guardados em um lugar onde pode ser difícil reconhecê-los. 

 

Trazer isso à tona é parte do processo de descobrir quem somos e o que nos traz felicidade. Diria que essa reflexão é o primeiro passo de uma autoinvestigação para descobrir o que pode nos trazer mais satisfação com a vida.  

 

Você já parou para refletir sobre sua trajetória e o que mais te marcou até aqui?

 

Muito se fala sobre identificar as repetições negativas para encontrar o que está escondido atrás de ciclos viciosos, mas mapear os seus padrões positivos e refletir sobre os momentos em que você foi bem sucedido e sentiu um profundo bem-estar pode ser igualmente revelador. 
  
Proteger-se daquilo que nos distrai da nossa própria essência exige um certo esforço. Afinal, muitas vezes nossos amigos, pais e companheiros projetam por nós o caminho que deveríamos seguir, e o que realmente somos começa a ser encoberto pelo que esperam de nós. Além disso, passamos muito tempo da vida tentando nos adaptar aos padrões valorizados pelo externo, sem parar para pensar se esse desejo está brotando de fato da nossa essência.

 

E é incrível como realmente nos empenhamos e conseguimos o que almejamos, mas à serviço de que? Em boa parte para atender expectativas alheias e não por uma manifestação do que de fato somos.

 

Talvez você tenha nascido para ser jardineiro e está tentando ser presidente de uma grande empresa. Ou talvez esteja se sentindo pressionado a “subir” na carreira, quando o que você realmente queria era continuar construindo sua trajetória sem, necessariamente, crescer na empresa ou ter que assumir atividades comumente atribuídas a cargos mais altos na escadinha hierárquica das corporações.

 

A nossa trajetória está repleta de pistas e dicas daquilo que verdadeiramente somos e que nos nutre. Nesse sentido, a autenticidade que vem, principalmente, da intimidade com nossa história é ferramenta para burlar a negligência daquilo que genuinamente pode nos fazer feliz.

 

Quando abandonamos a ideia de vir a ser algo,

o que sobra é a nossa verdade. 

 

A busca por abandonar as máscaras e personas que criamos para sermos aceitos e o empenho em trazer à tona os nossos talentos e nos engajar no que nos traz prazer acaba por criar uma trajetória de redescoberta do que é essencial, natural e o que demanda um menor esforço para nós.

 

Para o pesquisador, Mihaly Csikszentmihalyi, um dos grandes expoentes da Psicologia Positiva, o tão almejado Flow nasce daí. O Flow é a expressão máxima dos talentos em ação. Conceituado na década de 70, define-se como todo pequeno processo em que colocamos nossas fortalezas em ação, ali no dia a dia mesmo.

 

Ele acontece quando estamos engajados e presentes no processo de criar algo novo, a partir de nossas habilidades, é aquele lugar onde sentimos que estamos sendo desafiados em um nível possível e realizável ao contrário de desgastante, afinal, você está fazendo aquilo que sabe e gosta de fazer.

 

É considerado por alguns como um estado de meditação, em que corpo e mente funcionam em perfeita sintonia para criar e executar atividades de forma criativa, fluída e fácil. Nos casos mais emblemáticos, de grandes profissionais ou personalidades claramente reconhecidas por seus dons, é fácil identificar o Flow, mas ele não é mérito de alguns. Pelo contrário, pode se expressar em qualquer um de nós.

 

É importante perceber quando uma atividade é muito dispendiosa para nós, ou seja, quando não estamos em Flow, pois geralmente são situações em que nos sentimos frustrados e incapazes, mas raramente nos damos conta de que isso acontece justamente por que estamos nos forçando em algo que tem pouco a ver conosco, o que significa em certa dimensão, tentar ser alguém que não somos.
 
Ganhar intimidade com a própria história de vida é o primeiro passo rumo à autenticidade que é parte essencial da busca pela felicidade.

 

Tire alguns minutos para identificar os momentos da sua vida em que você foi mais feliz. Certamente os elementos que estavam presentes ali, dizem muito sobre a sua essência e seus talentos. É claro que seria ilusório tentar resgatar momentos que já se foram, mas considerar esses elementos em novas circunstâncias da vida, pode trazer enorme satisfação. 

 

Pode estar aí o caminho para entrar em flow. Vale a pena dar atenção a isso. Afinal, é de flow em flow que se constrói uma trajetória relevante, sobretudo para si mesmo.

 

*Há quase uma década Carol estuda o tema Felicidade. Seus estudos contemplam uma especialização em psicologia positiva com o professor Tal Ben Shahar, de Harvard (ao longo do ano de 2015), e o curso de Liderança para Transição, na Schumacher College (2017). Nesse período, investigou linhas filosófico-espirituais como Budismo e Xamanismo, vivenciou diversos processos de auto-investigação, experimentou ferramentas de meditação, respiração, jejum e silêncio. Foi para o Butão e outros lugares no Mundo para compreender o bem-estar na dimensão das comunidades e dos países e tem ministrado palestras, debates e workshops sobre o tema em diversas cidades e contextos.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

A importância de ganhar intimidade com a própria história de vida e revelar nossos padrões positivos

March 27, 2019

1/1
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

Copyright © 2018 Jornada da Felicidade