A psicologia positiva e o poder de uma visão mais apreciativa

March 27, 2018

 

Em meados de 2010, imersa em um projeto relacionado a boas notícias aqui no Brasil, me deparei com uma pesquisa de consumo que mostrava que quando gostamos de um produto, impactamos 6 pessoas, e quando não temos uma boa experiência, alertamos pelo menos 18. Também tomei conhecimento do fato que, por muito tempo, o foco da psicologia foi estudar as doenças mentais e seus males. Esses eram para mim, indícios fortes de que a visão crítica e paliativa se sobrepunha — e muito — à nossa capacidade de apreciar e prevenir.

 

O pensamento desconstrutivo é um padrão de comportamento adquirido desde muito cedo e reforçado pelo contexto em que vivemos. Está tão enraizado que podemos considerá-lo um vício.

 

Foi na busca por compreender as motivações intrínsecas a essa construção cultural — de enxergar o copo meio vazio — que descobri um movimento recente, chamado de Psicologia Positiva, que desde o início dos anos 2000, vem trazendo uma nova abordagem, que vai além do foco nas doenças e patologias, e questiona como a ciência pode ajudar a entender o que nos motiva e nos torna mais satisfeitos com a vida. "Que interessante!", pensei. E, desde então, venho estudando o assunto.

 

A nova área debruça-se nas fontes da saúde e bem-estar psicológico com o rigor da academia e o foco dos pesquisadores para entender e promover os fatores que permitem indivíduos e comunidades prosperarem.

 

O clichê de “felicidade não se compra” nunca foi tão real. Mas, ao que tudo indica, podemos aprender a ser mais felizes! É exatamente isso o que o pai da psicologia positiva, Martin Seligman, começou a estudar nos anos 90 e as descobertas são incríveis. O tema é cada vez mais procurado nas universidades norte-americanas e uma das aulas mais concorridas em Harvard é a de psicologia positiva com o professor Tal Ben-Shahar, com quem tive o prazer de estudar.

 

Na Universidade de Yale, os estudantes passam meses em filas de esperas para garantirem uma vaga na turma de estudos sobre felicidade. O movimento só cresce e os cientistas positivos estão espalhados por Chicago University, North Carolina, Upenn e uma dezena de outros centros de estudos acadêmicos, nos Estados Unidos e até na Europa.

 

O que mais me agrada no movimento, é a visão de que a felicidade é uma habilidade a ser adquirida como a empatia, por exemplo. Por isso, esse ramo novo da psicologia é uma abordagem bastante prática que somado a outros estudos recentes como neuroplasticidade e mudança de hábito, eleva a um patamar nunca antes visto, o papel protagonista que todos nós temos na construção do nosso bem-estar.

 

A cada novo resultado científico evidencia-se que ser feliz é consequência de uma somatória de atitudes e escolhas cotidianas. É aí que a Psicologia Positiva propõe a identificação e validação de escolhas e atitudes que colaboram ou não para aumentar o nosso nível de satisfação com a vida ao revelar como podemos criar, hoje, situações e ambientes férteis para que a satisfação autêntica e duradoura possa florescer.

 

 

Segundo os estudos, a autenticidade está mais relacionada com a felicidade do que imaginávamos. Ela nada mais é que uma busca por ser quem somos de fato e não um modelo de expectativas a cumprir para o outro. E, desenvolver autenticidade, é abrir um caminho de descoberta e desenvolvimento dos nossos talentos.

 

Desde criança, somos condicionados a focar nas nossas dificuldades, em como ser melhor naquilo que, muitas vezes, não é nosso ponto forte. A proposta é para observarmos nossos talentos de maneira mais realista e generosa, com consciência dos nossos pontos fracos, mas com um foco maior em identificar sobretudo nossas forças e em como usá-las.

 

*Há quase uma década Carol estuda o tema Felicidade. Seus estudos contemplam uma especialização em psicologia positiva com o professor Tal Ben Shahar, de Harvard (ao longo do ano de 2015), e o curso de Liderança para Transição, na Schumacher College (2017). Nesse período, investigou linhas filosófico-espirituais como Budismo e Xamanismo, vivenciou diversos processos de auto-investigação, experimentou ferramentas de meditação, respiração, jejum e silêncio. Foi para o Butão e outros lugares no Mundo para compreender o bem-estar na dimensão das comunidades e dos países e tem ministrado palestras, debates e workshops sobre o tema em diversas cidades e contextos.

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